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Técnica de enfermagem, Ana Anjos, recebendo a segunda dose da vacina contra a Covid-19 na BA — Foto: Arquivo pessoal
Conforto e esperança. Essas são as sensações que Ana Anjos sentiu depois de ter recebido a segunda dose da vacina contra a Covid-19 na última terça-feira (16). Técnica de enfermagem que atua no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ela recebeu a primeira dose em 19 de janeiro, dia em que a vacinação começou na Bahia.
"Chorei tudo de novo, igual na primeira vez. É uma emoção e um conforto de que a gente pode ficar mais tranquilo. Ainda falta muito, mas eu acho que todo mundo deve ser vacinado e sentir essa segurança".
Atuando na linha de frente contra a Covid-19, a técnica de enfermagem chegou a ficar quase cinco meses sem ver o filho, Miguel Anjos, de 11 anos. Isso porque, em fevereiro de 2020, ela foi hospitalizada por H1N1 e, quando voltou para casa, tinha outro problema para enfrentar: a pandemia do novo coronavírus.
Segundo Ana, o filho ficou na casa de uma amiga que ela considera como mãe.
"O H1N1 é muito contagioso, então ele foi para a casa da tia, que é minha mãe emprestada, quando eu fui hospitalizada. Quando voltei para casa já estava tendo a pandemia. Fiquei com medo de que ele voltasse para o convívio", explicou.
O medo que Ana sentia parecia ser um aviso, pois em junho do mesmo ano, ela testou positivo para a Covid-19. No entanto, não precisou ficar hospitalizada, conseguiu se tratar em casa e superar a doença.
Durante o período em que passou longe do filho, Ana disse que conversava com ele por meio de chamadas de vídeo.
"A gente fazia chamada de vídeo enquanto ele estava lá, e ele estava sempre preocupado, ficava dizendo: 'a minha mãe é da linha de frente'", comentou.
O reencontro dos dois só aconteceu no mês seguinte, em julho, quando Miguel voltou para casa.
"Eu achei ele tão grande, tão rapazinho, e eu [pensava]: 'meu Deus, ele está crescendo e a gente está perdendo isso'. Ele já está em casa, mas quando eu fico muitas horas trabalhando, ele fica na casa da minha mãe emprestada".
"Depois que eu tomei a primeira dose, ele estava em uma chamada de vídeo com os amigos e falou: 'minha mãe já está vacinada, ela trabalha no Samu, é da linha de frente'. Eu ganhei minha vida ali. A forma que ele falou, o orgulho que ele falou de mim", contou emocionada.
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Ana Anjos e o filho, Miguel Anjos, se reencontrando após quase cinco meses em Salvador — Foto: Arquivo pessoal
Uma das primeiras coisas que Ana fez após receber a primeira dose foi visitar a mãe emprestada, que tem 64 anos e faz parte do grupo de risco. Ela contou que estava desde o início da pandemia sem vê-la.
"Eu estive lá no final de semana passado. Eu já tinha tomado a primeira dose e aí me senti segura de ir lá, passar o dia com ela, pois já estava há quase um ano sem vê-la, sem chegar perto".
Agora, o maior sonho de Ana é que mais pessoas possam ser vacinadas para sentir a mesma emoção. Além disso, deseja estar presente no parto de um amiga que mora em São Paulo e vai ter bebê em setembro deste ano.
"Quero meus familiares vacinados, meus amigos, todo mundo. Tenho uma amiga em São Paulo que está grávida e eu quero muito ir para lá acompanhar o parto, porque ela é uma amiga de infância, uma irmã para mim. A maior alegria de estar vacinada é poder encontrar meus amigos".
Em relação ao trabalho, a técnica de enfermagem disse que mesmo após a vacina, ela e os colegas continuam seguindo os protocolos contra a Covid-19.
"Todo mundo continua usando a máscara, continuamos com a mesma postura. A gente tem a segurança da vacina, acreditamos na eficácia, mas ainda não é hora de tirar a máscara."
"A gente serve muito como exemplo, então o Samu tem muita visibilidade. As pessoas têm um respeito pelo nosso trabalho. Então acho que não é justo, com quem ainda não está vacinado, a gente tirar a máscara".
Ana também comentou que, durante o trabalho, às vezes se depara com pessoas que não acreditam na existência da pandemia.
"Infelizmente tem algumas pessoas que não acreditam até hoje. Nós estamos cansados, estamos exaustos. A gente vê todo mundo na rua aglomerado, em festas, nas praias, locais públicos lotados", desabafou.
Autoria: G1 Bahia