
Foto: Leopoldo Silva / Agencia Senado
Em depoimento prestado à CPI da Pandemia nesta quarta-feira (29), o empresário Luciano Hang reconheceu que sua mãe recebeu tratamento com medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19. Antes disso, ele havia alegado, em vídeo, que sua mãe não teria falecido se tivesse recebido esse tipo de tratamento. A mãe do empresário morreu em fevereiro, em um hospital da Prevent Senior — empresa que enfrenta várias acusações, entre elas a de induzir médicos a prescrever esses medicamentos. Ao ser questionado sobre o motivo da ausência de citação à covid-19 no atestado de óbito de sua mãe, Hang atribuiu a omissão a um "erro do plantonista".
O empresário também negou as acusações feitas contra ele, como a de financiar a divulgação de notícias falsas, de ter sido integrante do "gabinete paralelo", grupo que teria aconselhado o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia e que defendia o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, e de ter financiado atos antidemocráticos durante as comemorações de 7 de setembro.
Durante a audiência, Hang foi criticado pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e pelo vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foram exibidos vídeos em que Hang questiona o número de mortos pela pandemia e as medidas de distanciamento social, além de um vídeo em que ele aparece ao lado de Jair Bolsonaro em uma visita, segundo Randolfe, ao chamado gabinete de crise contra a covid-19 (instalado pelo governo federal). Por outro lado, ele recebeu o apoio de senadores da base aliada do governo, como Marcos Rogério (DEM-RO), Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que o empresário sofre "perseguição" por parte da CPI.
Luciano Hang negou que seja "negacionista" e disse ser favorável à vacinação, mas, ao responder a uma pergunta da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), declarou que não se vacinou contra a covid-19 porque possui "um índice de anticorpos altíssimo".
Interrupções - O depoimento de Luciano Hang foi marcado por interrupções. Omar Aziz chegou a suspender a sessão no início das perguntas do relator, Renan Calheiros, após o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmar que havia sido ofendido por um dos advogados que auxiliavam o depoente. O presidente da CPI decidiu que Hang poderia ter somente um advogado ao seu lado um advogado.
Hang foi defendido ao longo do depoimento pelos senadores Jorginho Mello (PL-SC), Marcos Rogério (DEM-RO), Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Roberto Rocha (PSDB-MA) disse que compareceu pela primeira vez à CPI para cumprimentar o depoente.
Fake news - Diversas perguntas feitas ao depoente trataram de patrocínios de Hang a empresas, campanhas eleitorais e sites acusados de disseminar notícias falsas (as fake news). O empresário negou ter patrocinado o site do blogueiro Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre propagação de fake news. Ele disse ter direito de escolher os canais que patrocina, sem citar nenhum especificamente, e admitiu ter pago R$ 250 milhões em anúncios na plataforma Google.
"Claro que não vou botar [dinheiro] naqueles veículos que nos agridem, principalmente sites de extrema esquerda. Na iniciativa privada, quem escolhe os clientes somos nós", disse.
"Bobo da corte" - Ao longo de toda a oitiva, senadores se queixaram do andamento dos trabalhos. Os opositores ao governo acusaram Hang de fazer propaganda de suas empresas e dar respostas sem relação com o objeto da CPI. Os governistas, como os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Jorginho Mello (PL-SC) e Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), acusaram o relator de ofender o depoente ao utilizar a expressão "bobos da corte":
Em sua fala inicial na audiência, Renan declarou que "trata-se de figuras corriqueiras na sabujice ao poder, em busca de ganhos fáceis por meio de fanfarras mortais. Em todas as eras do nosso país houve a figura do bobo da corte, independentemente de trajes usados ao longo dos tempos".
Autoria: Metro 1